Uma menina de 2 anos e 10 meses morreu no sábado (1º), em Cruz Alta, no Noroeste do Rio Grande do Sul, após não conseguir transferência para uma UTI pediátrica para fazer uma hemodiálise. Conforme os pais, Betina Bessa Mendes foi diagnosticada com problemas no aparelho digestivo e foi internada, dias antes, em um hospital do município, onde foi constatado o óbito.

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) lamentou a morte e afirmou que, na sexta-feira (31), os médicos da Central de Regulação Estadual e da equipe de Cruz Alta avaliaram “não haver necessidade de transferir de madrugada. Tratava-se da necessidade de leito específico para o caso”. Posteriormente, “a Central de Regulação disponibilizou o leito no sábado pela manhã mas não houve condições de saúde para a transferência”. Veja a nota completa abaixo.

Os pais de Betina, Rodrigo Mendes e Catiele Bessa, cobraram atenção das autoridades para casos envolvendo crianças.

“Eu quero pedir que os poderes públicos olhem bem para isso aí que aconteceu e não deixem acontecer com outra família a dor que nós estamos sentindo. Isso aí destrói o chão de qualquer pessoa, acabou com nossa vida”, lamenta o pai.
A titular da 5ª Delegacia de Polícia Regional de Cruz Alta, Diná Aroldi, afirma que a família registrou uma ocorrência sobre o caso. O boletim seria encaminhado para um delegado nesta segunda-feira (3).

“Nossa princesa. Não tem explicação ir dessa maneira. Ela sofreu tanto…”, disse a mãe, Catiele, emocionada.

Segundo os pais, a menina foi levada para uma unidade de pronto atendimento (UPA) ao apresentar sintomas de vômito e diarreia na segunda (27) e na terça-feira (28). Na quarta (29), Betina foi transferida para o Hospital São Vicente de Paulo, onde foi identificada a necessidade de encaminhamento para um leito de UTI pediátrica, para realizar uma hemodiálise.

Contudo, não havia vagas disponíveis para esse tipo de atendimento em cidades do RS, além de municípios de Santa Catarina e Paraná.

A família chegou a procurar o Ministério Público, que conseguiu uma ordem judicial para a disponibilização de leito. No entanto, quando a vaga foi obtida, não era possível realizar a transferência em razão do quadro de saúde da menina.

Conforme a SES, a criança tinha um quadro clínico compatível com Síndrome hemolítico-urêmica e necessitava de tratamento multidisciplinar, com suporte de diálise, cirurgião pediátrico e nefrologista.

“Não se trata de superlotação de leitos de UTIP, neste momento específico, mas da disponibilidade deste profissionais num mesmo hospital, naquele momento”, informou.

Segundo a pasta, desde o momento do cadastro as equipes médicas buscaram os hospitais que tivessem condições de prestar atendimento a esta paciente. “Em todos os momentos buscamos o melhor lugar para atender esta paciente. Não havia justificativa para transferência para outro hospital sem as condições básicas para atendê-la”, ponderou.

Nota da SES:

 

“A Secretaria Estadual de Saúde informa que na sexta-feira a noite, decisão técnica, entre os médicos da Central de Regulação Estadual e da equipe de Cruz Alta avaliou não haver necessidade de transferir de madrugada. Tratava-se da necessidade de leito específico para o caso. A Central de Regulação disponibilizou o leito no sábado pela manhã mas não houve condições de saúde para a transferência. Lamentamos o óbito, mas por questões éticas e de respeito a família, não tratamos publicamente sobre casos específicos. Ressalta ainda que não está sendo registrada superlotação de leitos de UTI Pediátricos no Estado.”